A Batalha de Braga - III (2.ª parte)

Ataque do Exército Português

Exército Português

Tropas de Wellington


Carga de Cavalaria

Vencida a resistência em Braga, os soldados de Soult continuaram a sua marcha vitoriosa para o Porto, não sem que se lhes opusesse, pelo caminho, o heróico povo patriota de Entre Douro e Minho. Dá-se, a seguir, o desastre da Ponte das Barcas. A 12 de Maio, Wellesley atravessa o Douro numa das acções mais audazes da Guerra Peninsular começando a expulsão dos franceses de Portugal. Três dias depois, cinco mil soldados britânicos de Infantaria e Cavalaria reúnem-se em Braga para encetar a perseguição ao exército invasor e vingar os heróis de 20 de Março.






Em seguida o exercito invasor dirigiu-se para o Porto dividido em três columnas: a 1.ª, commandada por Franceschi e Mermet, tomou pela estrada velha de Guimarães para Santo Thyrso; a 2.ª, commandada por Soult, partiu por Famalicão para a Barca da Trofa; e a 3.ª, commandada por Lorges, foi por Barcellos para a Ponte d'Ave.
Na linha do Ave desde a citada Ponte chamada d'Ave, que liga Bagunte a Macieira, até á Ponte de Negrellos sobre o Vizella, um pouco acima da confluencia d'estes dois rios, os portuguezes organizaram uma brilhante resistencia, embora de resultados praticos eguaes aos da citada linha de defeza da Falperra, Carvalho d'Éste e Ponte do Porto.
No dia 29 o exercito francez entrou na cidade do Porto, apezar de defendida por entrincheiramentos, e ali morreram mais de cinco mil pessoas afogadas no Douro na passagem da Ponte das Barcas para Villa Nova; todavia o dominio dos francezes no Porto, onde, diz-se, roubaram fartamente, não excedeu a quarenta e cinco dias, porquanto em 12 de Maio o exercito anglo-luso commandado por Wellesley, tendo atravessado o rio Douro, entrava, na cidade pelos lados do Seminario, por Avintes e por Villa Nova, e executou este movimento com tal rapidez, que ficaram os francezes por elle completamente surprehendidos, e Soult foi obrigado a retirar-se pela estrada de Vallongo para a Amarante, abandonando os feridos e prisioneiros à generosidade britannica.
Os alliados perseguiram o inimigo, que, chegando a Penafiel, teve de destruir a artilheria, queimar as bagagens, e metter-se por caminhos invios em direcção a Guimarães. Aqui Soult juntou o seu exercito, e, jornadeando pela Povoa de Lanhoso, attingiu Salamonde; porém, no dia 15 de Maio, pela uma hora da tarde, entraram em Braga cinco mil soldados inglezes de Infanteria e de Cavallaria, que no dia seguinte, de manhã, partiram para a Povoa de Lanhoso (Senhora do Pilar) em perseguição dos francezes, que batiam em retirada, e na passagem da Ponte de Mizarella lhes infligiram grandes perdas; comtudo os francezes internaram-se nas agruras de Barrozo, e marcharam apressadamente a assenhorear-se da Ponte do Salvador sobre o Cavado, que conduz a Montalegre, d'onde transitaram para a Galliza, penetrando por fim em Orense no dia 20 do sobredito mez de Maio, depois duma penosa marcha, cujas felizes disposições não podem contestar-se, embora perdessem todo o seu material de guerra, as suas bagagens, cavallos e muares, e um grande numero de homens, extenuados pela fome, que não lhes permitiu seguir o seu exercito.

Monsenhor J. Augusto Ferreira, Fastos Episcopaes da Igreja Primacial de Braga, tomo IV, 1935.


A Águia Imperial Francesa

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