Portugal no divã

Divã de Freud
Não partilho de algumas opiniões negativas em relação ao Prós e Contras de ontem, 15 de Outubro, sobre a Guerra Colonial. Poucas vezes assisto ao programa e mesmo aquele em que a ministra da educação era a convidada de honra, só o visionei aqui mesmo neste blogue, depois de colocado o vídeo que, pelos vistos, até já nem funciona. Fátima Campos Ferreira não me é uma figura simpática, não pela beleza (ou falta dela) dos olhos ou do sorriso ou do que quer que seja, mas pela postura parcial e comprometida que lhe observei neste programa da ministra e num outro sobre o caso da menina pseudo-adoptada pelo sargento Luís Gomes.
Ana Gomes, por exemplo, em Causa Nossa, critica a ausência de mulheres no programa, assim como a superficialidade na abordagem do tema por parte de um número significativo de intervenientes. Não lhe retiro razão alguma. No entanto, a acareação, o diálogo, as confissões, relatos, reencontros, entrevistas, em suma, a partilha de experiências e de pontos de vista parecem-me ser absolutamente essenciais para este país que, a avaliar pelas emoções que trespassaram a assistência deste Prós e Contras, está profundamente marcado por recalcamentos nunca sarados. É do conhecimento comum que traumas não se curam com o silêncio e a interiorização. É preciso falar, expor e até, quem sabe, partir alguma loiça.
Enterrar o machado de guerra não é o mesmo que fingir que esta não aconteceu. Enquanto persistir essa postura de avestruz, todos os ressentimentos e remorsos permanecerão como espectros a atormentar as memórias. A paz alcançar-se-á quando soubermos dignificar os vivos e conseguirmos honrar os mortos. Todos eles, independentemente da cor e do lado por que se bateram.

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