Se me acusarem de fazer aqui publicidade a uma marca comercial, têm toda a razão. E de borla, ainda por cima...
29 de fevereiro de 2008
Videoke com Pisang Ambon
Se me acusarem de fazer aqui publicidade a uma marca comercial, têm toda a razão. E de borla, ainda por cima...
26 de fevereiro de 2008
Professora Fernanda Velez no Prós e Contras
Pensar que a ministra poderia vir a ser demitida (digo, pedir demissão) neste momento, após o banho que levou no Prós e Contras de 25 de Fevereiro a que todo o País assistiu em directo, seria completamente ingénuo. O PM nunca conseguirá outro tão fiel servidor, que o é, não por uma qualquer necessidade de bajulação ou auto-promoção, mas por convicção própria. Além disso, alterar neste momento as linhas que têm vindo a orientar a política deste governo para a Educação, seria, mais que um acto de auto-flagelação pública, um suicídio político. Inverter o rumo das coisas nesta altura do campeonato implicaria uma suspensão de todo o processo que este governo tem vindo a desenvolver desde a infeliz entrada em funções à cowboy com a célebre requisição civil dos professores de 2005. Suspensão à qual seria impossível atribuir prazo razoável de finalização, dado o gigantismo do esforço que a coisa deveria implicar.
Para além destas fortes razões para a manutenção no governo de Maria de Lurdes Rodrigues, algo de curioso encontro no facto de uma grossa fatia das suas publicações, arroladas na página do Portal do Governo dedicada à ministra, girar em torno da profissão de engenheiro em Portugal.
25 de fevereiro de 2008
24 de fevereiro de 2008
O Insurgente "capitulou"?
Ora aí está, uma vez mais, como certas palavras podem andar de boca em boca aos trambolhões, passando de valiosas preciosidades a bem-soantes vacuidades.
Ou então, tudo não passa de uma brincadeira do próprio Insurgente. De qualquer modo, e seja lá o que for, pelo menos uma boa idiotice com certeza que é.
23 de fevereiro de 2008
"Comunicado de Bin Lada a Portugal" em Os Imortais
22 de fevereiro de 2008
20 de fevereiro de 2008
Manual Para Habitantes de Cidades - Poema nº 10
Está sentado?
Encoste-se tranquilamente na cadeira.
Deve sentir-se bem instalado e descontraído.
Pode fumar.
É importante que me escute com muita atenção.
Ouve-me bem?
Tenho algo a dizer-lhe que vai interessá-lo.
Você é um idiota.
Está realmente a escutar-me?
Não há pois dúvida alguma de que me ouve com clareza e distinção?
Então
Repito: você é um idiota.
Um idiota.
I como Isabel, D como Dinis
outro I como Irene, O como Orlando,
T como Teodoro, A como Ana.
Idiota.
Por favor não me interrompa.
Não deve interromper-me.
Você é um idiota.
Não diga nada. Não venha com evasivas.
Você é um idiota.
Ponto final.
Aliás não sou o único a dizê-lo.
A senhora sua mãe já o diz há muito tempo.
Você é um idiota.
Pergunte pois aos seus parentes
Se você não é um I.
Claro, a você não lho dirão
Porque você se tornaria vingativo como todos os idiotas.
Mas
Os que o rodeiam já há muitos dias e anos sabem que você é um idiota.
É típico que você o negue.
Isso mesmo: é típico que o I negue que o é.
Oh, como se torna difícil convencer um I de que é um I.
É francamente fatigante.
Como vê, preciso de dizer mais uma vez
Que você é um I.
E no entanto não é desinteressante para você saber o que você é.
E no entanto é uma desvantagem para
você não saber o que toda a gente sabe.
Ah sim, acha você que tem exactamente as mesmas ideias do seu parceiro.
Mas também ele é um idiota.
Faça favor, não se console a dizer
Que há outros I.
Você é um I.
De resto isso não é grave.
É assim que você poderá chegar aos 80 anos.
Em matéria de negócios é mesmo uma vantagem.
E então na política!
Não há dinheiro que o pague.
Na qualidade de I você não se precisa de preocupar com mais nada.
E você é I.
(Formidável, não acha?)
Você ainda não está ao corrente?
Quem há-de então dizer-lho?
O próprio Brecht acha que você é um I.
Por favor, Brecht, você que é um perito na matéria, dê a sua opinião.
Este homem é um I,
Nada mais.
Não basta tocar o disco uma só vez.
Bertold Brecht
(Sublinhados meus)
18 de fevereiro de 2008
Kosovo

Não fosse a referência às guerras mundiais feita durante a declaração que acompanhou o reconhecimento da independência do Kosovo pelos EUA, e ficaríamos com a impressão que a humanidade se esquece facilmente da sua História. Há 100 anos atrás, as coisas não estavam muito diferentes do que estão agora e faltavam seis anos apenas para, nessa mesma região dos Balcãs, se dar início a uma guerra que tirou a vida a 8 milhões de europeus e deixou 6 milhões de inválidos. A Rússia, que recentemente ameaçou a Ucrânia com os seus mísseis, terá mais um alvo agora. No gigante euro-asiático vão-se traçando cenários apocalípticos.
"Continuar na prisão e morrer ou ficar livre amanhã (no exílio)"
"Segundo a Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional (CCDHRN, ilegal na ilha) no final de 2007 havia em Cuba "pelo menos" 234 presos políticos nas prisões cubanas, entre eles 24 jornalistas." (AFP)
A imagem dos Professores, por Luís Filipe Rodrigues
Muitos de nós deseja qualificar-se na vida, deseja, além disso cultivar-se, e, ao mesmo tempo, ser competente e formar-se ao nível da inteligência relacional. Onde vamos nós, professores, encontrar tempo para isso? Realizei o meu mestrado gastei mais de 8000 euros, com muitas privações (só os ricos é que podem fazer pós-graduações?). Não pude roubar tempo ao meu desempenho como professor; sou uma pessoa responsável e de princípios; tive que roubar tempo à minha família (só os solteiros é que podem fazer mestrados?).
Desejava fazer um doutoramento; mas, com a burocracia e legislação onde nos entranhamos, onde temos tempo para fazer doutoramentos? Ou seja, desejamos ser qualificados mas não podemos.
A burocracia e o processo de ensino são tão burocrático que não nos resta tempo para falar dos alunos; nós não necessitamos de mais computadores, precisamos de mais psicólogos que nos ajudem a tratar os alunos de forma eficiente e eficaz. Temos de preencher tantos papéis que na prática são inúteis para o processo ensino-aprendizagem. A nossa prática docente é a relação com os alunos tendo como meio intermédio os conteúdos programáticos. É aí que nos temos que concentrar. O Sistema de Ensino não é lúcido; deveríamos questionarmo-nos exaustivamente sobre o porquê e o para quê de cada procedimento (chegaríamos à conclusão que as gerações que temos em mãos estão a ser oprimidas pelos papéis).
Nós, professores, trabalhamos muito mais de 36 horas; trabalhamos à noite e ao fim-de-semana. Este ano, tive imensas reuniões que me obrigaram a estar na escola 12 ou mais horas (será correcto?). Algumas vezes, nestes dias, estive quase 48 sem ver a minha filha, e pouco coabitei com a minha esposa (isto será razoável?).
Será que não há ninguém que elucide a comunidade portuguesa da realidade efectiva dos professores portugueses?
Luís Filipe Rodrigues
(Professor do Ensino Básico e Secundário)
(Comentário à postagem anterior, "eNSINO")
17 de fevereiro de 2008
eNSINO
Alertado por um email enviado pelo meu familiar e colega, Francisco Cavaco, acabo de conhecer o interessantíssimo blogue de Ramiro Marques acerca, principalmente, do eNSINO (hoje em dia temos de inverter as maiúsculas nesta que, em tempos, foi uma bela palavra). Trata-se, como se pode ler, de alguém que sabe o que escreve.
A abstracção mais antiga da Europa
16 de fevereiro de 2008
12 de fevereiro de 2008
O (rei vai) NU
11 de fevereiro de 2008
Salamaleques lusitanos
Parabéns, Idolátrica!
10 de fevereiro de 2008
9 de fevereiro de 2008
Mas... a Justiça portuguesa?
Eles perdem, Portugal, a Liberdade e a Democracia ganham.
8 de fevereiro de 2008
7 de fevereiro de 2008
Dividir para reinar
Têm, os ministérios da educação, deparado com um problema: os docentes, à massificação dos aproveitamentos falso-positivos, têm preferido manter alguma exigência na qualidade das competências que os alunos devem mostrar que adquiriram. De facto, os professores, ao contrário do que muitos políticos vêm revelando ao longo dos anos, têm mostrado alguma lucidez no que respeita à separação do conceito de Estado do organismo de poder político que o governo é. Consideram-se a si mesmos funcionários do primeiro e não peças da engrenagem do segundo. Assim, parece que têm vindo desde sempre a entender o problema das baixas qualificações da população portuguesa, como algo que não lhes compete a si resolver, mas sim ao(s) governo(s), problema esse que passa pela melhoria geral das condições sócio-económicas dos portugueses. Numa sociedade mais desenvolvida, todos os jovens que chegam à escola devem ter, à partida, condições semelhantes para prosseguir os estudos. Depois, tudo dependerá apenas das aptidões de cada um, das quais, a mais importante será, evidentemente, a capacidade de trabalho.
Finalmente, apareceu um governo capaz de vencer esta determinação dos professores que, até agora, tem mostrado ser razoavelmente bem sucedida. Primeiro, tratou de os dividir: titulares e não-titulares; depois, fez depender a avaliação dos professores, portanto, a progressão na carreira, do sucesso escolar obtido, isto é, do número de alunos que conseguem aprovação. A isto soma-se, ainda, a avaliação dos professores pelos encarregados de educação, aliás, pelos alunos, já que são estes que transmitem em casa a informação filtrada do que se passa na escola. E avaliará, algum pai, pela positiva, um professor que reprovou o seu filho? Desta maneira parece assegurado um aumento fulgurante do sucesso escolar em Portugal. Mas, torne-se público, é batota. Sairão muitos com certificados de habilitações mas tão analfabetos como os que antes nunca conseguiriam o sucesso. São fraudes. E para isto, foi preciso apenas um deles ter chegado ao poder.
Quanto custa 1 kg de cultura, se faz favor?
Mais encerramentos, mais petições. Fazemos peditórios, ora a bandidos como o presidente do Irão que continua a mandar menores para o cadafalso, ora a estes grosseiros ignorantes que um dia tivemos a infelicidade de ter colocado no poder. Pedimos ao incompetente que deixe de o ser? Não será mais adequado despedi-lo das funções de que deu já sobejas provas de não saber desempenhar? 170 ANOS AO SERVIÇO DA MÚSICA em risco de extinção. Quantas vezes não temos visto, ao longo da História, homenzinhos e mulherzinhas, almas anãs, mentes mesquinhas, cujos nomes foram incapazes de sobreviver ao tempo do poder que desafortunadamente exerceram, castigar, perseguir e punir alguns daqueles poucos que valorizam a Humanidade? Se não for a Arte, o que nos resta?
Escola de Música do Conservatório Nacional
Conservatório Nacional: O fim do Ensino Especializado de Música
Petição: Defesa do Ensino Artístico em Portugal
NEOFARPAS: Democratização do Ensino Artístico
O que somos
(Bernardo Soares, Livro do Desassossego).
6 de fevereiro de 2008
Diálogo entre um republicano e um monárquico
Deverá o leitor ter em consideração que se trata de uma transcrição de comentários (à postagem anterior, "O Rei morreu! Viva o Rei!"), por isso, sem grandes cuidados na qualidade da escrita.
Lopes começa com uma provocação:
O Rei morreu, viva o Buíça!
Domingo, 03 Fevereiro, 2008
Pedro Leite Ribeiro:
Lopes: deixa-me intrigado. Que ódio o moverá contra as pessoas de D. Carlos e do jovem Príncipe Herdeiro, para dar o seu apoio a um assassino frio e calculista, cujo acto repugnante só trouxe a Portugal atraso e miséria?
Domingo, 03 Fevereiro, 2008
Lopes:
Nenhum ódio, senhor meu: não sou capaz de tais sentimentos. Só que a História é feita, muitas vezes, por cima de cadáveres. Que me diz dos que mataram, de modo frio, calculista e repugnante Sadam Hussein, Ceausescu ou os Távoras? Quanto ao atraso e à miséria, salvo melhor opinião, o regime que veio a seguir não os trouxe: já cá estavam e agravavam-se com o apodrecimento do regime. É certo que a República não os resolveu, mas, pelo menos, ficamos com o direito de escolher quem nos governa.
Segunda-feira, 04 Fevereiro, 2008
Pedro Leite Ribeiro:
Lopes: Leio demasiadas imprecisões nas suas palavras. Meter no mesmo saco de Saddam e Ceausescu a inocente família dos Távoras é, mais que imprecisão, confusão e desvario. Considerar que escolhe quem nos governa referindo-se à figura não governante do Chefe de Estado, é outra. A democracia em Portugal, datando de 1822, não é uma invenção da República.
Segunda-feira, 04 Fevereiro, 2008
Lopes:
Desvario? Ser a favor da soberania do povo, dando-lhe o poder de escolher quem o governa é desvario? Democracia, aquela do Senhor D. Carlos? Não foi ele que escolheu seguir pela via da ditadura, passando por cima do Parlamento? Democracia, a de João Franco, que promete governar o país à inglesa, mas que o dirige à turca? Desvario, o meu?
Acredite que não sou a favor da violência. O assassinato repugna-me, tenha ele que motivações tiver. Mas não tenho por costume procurar explicar o passado à luz da mentalidade, dos princípios e dos preconceitos de hoje.
Tem razão: não faz sentido, à luz da História, meter o assassinato de Sadam no mesmo saco do de D. Carlos. É claro que ambos foram frios, calculistas e repugnantes. Só que, por terem sido concretizados em tempos e contextos histórico e mentais completamente diferentes, não podem ser avaliados segundo a mesma escala de valores.
Segunda-feira, 04 Fevereiro, 2008
Pedro Leite Ribeiro:
9 meses de ditadura de João Franco! A República deu-nos "um pouco mais"... Quanto a primeiros ministros prepotentes, temos andado bem servidos.
Segunda-feira, 04 Fevereiro, 2008
Lopes:
Não direi que não. Mas notarei que a prepotência, em tempo de monarquia, está longe, muito longe, de se confinar ao consulado de João Franco. Portanto, também aí andamos muito bem servidos e durante muito mais tempo.
Segunda-feira, 04 Fevereiro, 2008
Pedro Leite Ribeiro:
Talvez tenhamos que procurar a raiz do problema noutro lado. Byron afirmou que "os portugueses são uma raça de escravos". Teria ele razão? E não teremos assumido de vez essa qualidade, em Outubro de 1910, quando abdicámos da História e da independência do mais alto magistrado da Nação, deixando de ser Portugal para nos tornarmos República Portuguesa?
Segunda-feira, 04 Fevereiro, 2008
Lopes:
Independência do mais alto magistrado da Nação? Não é isso que temos agora? Respeito a sua fé na Monarquia, mas estou convencido de que, com todos os seus defeitos, a República é bem mais virtuosa. A começar pela independência do mais alto magistrado da Nação, que o é, não por emanação divina, mas porque a Nação (que, podendo escolher bem ou mal, tem o direito de escolher) o escolheu. Prefiro, mil vezes, um Aníbal em quem não votei, do que um Duarte em quem ninguém votou e cujo único mérito é ser filho de quem é.
Creio bem que, se algum dia os portugueses foram algo de parecido com o qualificativo que Byron lhes aplicou, isso só poderia ter acontecido no Portugal que ele conheceu. O da Monarquia, claro. E que, se algum dia o deixaram verdadeiramente de ser, foi quando deixaram de dever obediência a um senhor que o era por direito hereditário.
Terça-feira, 05 Fevereiro, 2008
Pedro Leite Ribeiro:
Ora, Lopes: Como pode considerar independente uma pessoa que pertence a um partido? O actual presidente é PSD, o anterior era PS e por aí adiante até encontrar os presidentes nomeados pelo Salazar. Logo que ganham as eleições ( sempre com uma imensa minoria, já que cada vez menos pessoas lhes dão alguma importância), a primeira coisa que todos dizem é: "Vou ser o presidente de todos os portugueses", para tentar iludir a verdade que reside simplesmente no facto de serem partidários e terem sido eleitos pelos partidos a que pertencem. Antes de concorrerem às eleições anulam a inscrição no partido como se isso apagasse a sua simpatia partidária. É como se o Lopes fosse sócio de algum clube e decidisse deixar de o ser, devolvendo o cartão. As suas simpatias clubísticas mudariam de direcção? Não creio!
A emanação divina de que fala, remete para os tempos do despotismo dos séculos XVII e XVIII. Coisa datada, portanto. No entanto, deixe-me acrescentar que, na Idade Média, o poder divino dos reis era-lhes conferido pelo Povo e não, como viria a acontecer na época moderna, directamente por Deus. Relembro que estamos a falar de tempos anteriores ao Liberalismo e tudo tem o seu tempo, não é verdade?
Quanto ao facto de achar errado o facto de um chefe de estado ser preparado desde tenra idade para o cargo, é uma opinião exclusivamente sua. Antes isso do que não ter preparação alguma como acontece presentemente com os presidentes.
Um símbolo da nação, e factor de unidade da mesma, deve ter um tempo de vida dependente apenas dos condicionalismos naturais e não das picardias partidárias. Não deve durar 4 anos renováveis por mais 4, mas um tempo de vida útil e activa. E é aqui que a referida idolatria do chefe referida por anónimo noutro comentário perde consistência: nunca nenhum monarca português foi idolatrado. Quando muito, acarinhado pelo povo que o viu nascer e acompanhou o seu crescimento como se de um membro da sua própria família se tratasse.
Bom carnaval, Lopes, e obrigado pelos comentários. Talvez os copie e publique em postagem. Acha bem?
Terça-feira, 05 Fevereiro, 2008
Lopes:
Ora, ora, meu caro, desde quando não pertencer a um partido é atestado de independência? Posso dar-lhe muitos exemplos de pessoas que não pertencem ou não pertenceram a nenhum partido e que foram tudo menos independentes. Para não ir mais longe, dou-lhe um exemplo de hoje: Maria de Lurdes Rodrigues, sinistra ministra, diz-lhe alguma coisa? Consta que é independente. Mas, também para não ir mais longe, posso-lhe dar o exemplo de D. Carlos, o próprio. Independente? É ver o que se dispunha fazer com um dos últimos decretos (se não erro, foi mesmo o último) que assinou, que permitiria condenar sumariamente ao degredo para tão longe como a Ásia os opositores ao regime de que era a primeira figura. Será independente quem assim se propõe tratar quem perfilha ideias diferentes das que são aceites de um dos lados da barricada da luta política? Tendo a acreditar que concordará comigo, quando digo que não foi lá grande democrata, o senhor D. Carlos não obstante os seus muitos méritos, que os tinha. Porque, se o fosse e tivesse contribuído para que Portugal se livrasse de um rotativismo cada vez mais ancilosado e corrupto, transformando-se numa democracia (não foi por falta de tempo que não o fez), se calhar a história de Portugal ao longo do século XX teria sido um pouco diferente. Hoje, parece-me demasiado tardia e fora de tempo a discussão sobre a questão do regime em Portugal. Inês é morta e enterrada, meu caro.
(Nada tenho a obstar a que utilize o que aqui deixei como entender. Esteja à vontade, embora isto pouco valha). Eu só aqui vim deixar uma provocação, deixando um grito subversivo que algumas vezes se escutava em manifestações de apoio ao filho do Manholas: algumas vezes, no meio de vivas a Salazar, lá se escutava, vindo não se sabe de um “Viva o Buiça!” cheio de segundas intenções…).
Terça-feira, 05 Fevereiro, 2008
Pedro Leite Ribeiro:
Se lhe parece que o regicídio e o golpe de 5 de Outubro foram manifestações de algum espírito democrático, estará no seu direito de assim o entender. Além disso, pergunto se, por todo o lado e em todos os países, quando é o próprio regime político que se encontra sob ameaça, se não são naturais e legítimas as medidas de reforço do poder consideradas necessárias para garantir o bem estar dos cidadãos (muitas vezes, o dos poderosos), desde que temporárias, apenas enquanto durar a ameaça.
Pergunto-me também onde está a legitimidade de um regime que foi instituido à força, isto é, sem recurso a consulta popular. A república foi aceite pelo humilde e indefeso povo português depois de ter sido dada como um facto consumado. Mesmo assim, as medidas de repressão dos novos republicanos no poder, esses que se auto-proclamavam verdadeiros democratas, foram de tal modo graves que obrigaram muitos portugueses ao silêncio forçado e a procurarem esconderijo. A casa dos meus bisavós abrigou, nesses tempos áureos da democracia e da liberdade republicanas, um pobre padre cujo único pecado foi ter seguido a sua fé. Dar um viva ao Rei era, também nessa maravilhosa democracia, assinar a sua própria sentença de morte. Qualquer semelhança com o PREC não é pura coincidência; é a selvajaria à solta. Simplesmente, o PREC durou menos tempo que os miseráveis 16 anos da 1ª República.
Terça-feira, 05 Fevereiro, 2008
Pedro Leite Ribeiro:
Quanto ao rotativismo corrupto que refere, Lopes, proponho-lhe olhar bem para a nossa política actual e tentar encontrar as diferenças.
Terça-feira, 05 Fevereiro, 2008
Lopes:
Eu cá não sou cultor da casuística. Para mim, a perseguição por motivos políticos não é justificável se feita em terreno da República, e abominável se se faz sob o manto da Monarquia. Cometeram-se crimes, abusos e perseguições a pretexto da defesa da República, como se cometeram em defesa da Monarquia. Em ambos os casos vejo crimes, abuso e perseguições e não medidas do reforço do poder “naturais e legítimas”. Estimo, antes de mais a liberdade. A repressão, por motivos políticos, merece o meu profundo desprezo, independentemente da natureza dos regimes políticos. O facto de preferir a República à Monarquia não resulta de me identificar com o modo como Portugal é governado no momento presente. Longe disso. Agora em República, como outrora em Monarquia, temos sido, em geral, muito mal governados. Mas não será um tal Sócrates que me fará preferir ser súbdito de sua majestade a cidadão do meu país. Bem pelo contrário.
Terça-feira, 05 Fevereiro, 2008
Pedro Leite Ribeiro:
Noto que no que respeita a perseguição por motivos políticos o Lopes tem um só peso mas medidas diferentes consoante se trate de monarquia ou república. Caso ainda não tenha reparado, no país vizinho, que em nada fica a dever ao nosso em termos de cidadania, modernidade e desenvolvimento, vigora um regime monárquico. A Espanha junta-se um grupo de monarquias europeias às quais se podem aplicar os epítetos que usei para o primeiro: Noruega, Suécia, Dinamarca, Países Baixos, Bélgica, Reino Unido, Luxemburgo. Tenho pena que, não por acaso, circulem certos mitos em Portugal acerca da Monarquia, cujo único objectivo consiste no denegrimento desta instituição com a qual o nosso país nasceu (e morreu?). Lamento ainda que se continue a usar o grande argumento republicano de que a república veio para ficar e a monarquia pertence definitivamente ao passado. Desde o início que foi assim, daí a mudança de símbolos tão importantes como o hino, a bandeira, a moeda e a escrita. Talvez as coisas ainda venham a mudar. Recordo que, em 1974, ninguém em Espanha esperava o regresso do Rei. Hoje é querido e respeitado pela maioria.
Terça-feira, 05 Fevereiro, 2008
Lopes:
Se ler com atenção o que já vai aí acima, não terá dificuldade em reconhecer que são, mais do que os meus, os seus pesos e as suas medidas que pesam diferente conforme as balanças.
Pelos vistos, o amigo vive na saudade de um país que já morreu (e até tem consciência disso). O meu país, combalido embora, está vivo. E, com todos os seus defeitos, é para cá que quero voltar sempre que estou fora e a saudade bate. A bandeira não é lá muito bonita, mas, às vezes, enche-me de orgulho vê-la subir no mastro. O hino tem uma letra incrível, mas é com ele que eu, quando calha, me emociono. O meu país é pobre, atrasado e mal governado (já o era no tempo da Monarquia, reconheça), mas não tenho vergonha de ser português. Nem vontade de ser espanhol.
Terça-feira, 05 Fevereiro, 2008
Pedro Leite Ribeiro:
Não fui eu que disse "a perseguição por motivos políticos não é justificável se feita em terreno da República, e abominável se se faz sob o manto da Monarquia", mas o Lopes. Portanto, se falo em pesos e medidas diferentes, é com base em palavras suas. Quanto ao resto, são as suas opiniões subjectivas sobre a beleza da bandeira ou a letra do hino e as saudades da Pátria o que prevalece. Também tenho as minhas coisas, mas parece-me que não são para aqui chamadas. Congratulo-me, no entanto, em saber que o Lopes não perfila nas opiniões ibericistas do El Zaramajo, quer dizer, José Saramago.
Obrigado por ter criado esta oportunidade de debater algumas ideias. A democracia é feita disto, não?
Terça-feira, 05 Fevereiro, 2008
Lopes:
Meu caro, percebeu-me mal. Quando eu digo:
"Para mim, a perseguição por motivos políticos não é justificável se feita em terreno da República, e abominável se se faz sob o manto da Monarquia."
Quero dizer que, para mim, independentemente do regime, a a perseguição por motivos políticos nunca é justificável e é sempre abominável. Seja ela obra de monárquicos ou de republicanos. Não sou, pois, adepto dos tais dois pesos e duas medidas. Acredito que o meu amigo também o não seja, embora pelo que já aqui escreveu, possa parecer o contrário, quando fala em "naturais e legítimas medidas de reforço do poder", a propósito da perseguição aos republicanos em tempo da Monarquia.
Quanto ao mais, creio que estamos de acordo. Mais importante do que a natureza do regime, o que importa é que ele seja plenamente democrático. O que em Portugal ainda não se alcançou, em tempo nenhum.
Até sempre.
Quarta-feira, 06 Fevereiro, 2008